quarta-feira, 7 de março de 2012
Cobra eu, Ecad - 1
Série motivada por esta nota, que é tão absurda que se fosse escrita pelo Kafka como apêndice a "O Processo" nego ia achar que ele estava exagerando. E a escolha da banda, claro, é simbólica. Mais tarde tem mais.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
E o Davi foi pra escola
Terça-feira, 7 de fevereiro de 2012. Dia, mês e ano, como eu sempre gostei de registrar. Nesse dia, foi a primeira vez que o Davi foi pra escola. Mais ou menos, claro, visto que a mãe e a avó passaram a tarde por ali, sem brincar diretamente com ele, mas sempre ao alcance da vista, uma espécie de zona de conforto. Também não ficou o período todo, parece que lá pelas 3 e pouco foram embora. Daqui a pouco ele vai voltar, mas minha sogra deve ficar junto de novo, diz que tem uma ou duas semanas de “adaptação”, e é inevitável pensar como isso era diferente 30 anos atrás.
Eu tenho vagas lembranças do meu primeiro dia de escola. Minha mãe me aprontou todo, tirei foto junto com o vizinho da frente, que era da mesma ida e ia para a mesma escola. Daí chegou a perua para me levar e... eu não fui. Minha mãe acho que nessa época não dirigia, ou dirigia mas meu pai ficava com o carro, sei lá. Sei que era pra eu ter ido na perua escolar, mas eu chorei pra cacete, fiz um baita carnaval, e acabei não indo. Devo ter ido no outro dia, ou uns dois dias depois, é duro não ter mais os personagens por perto pra contar como foi. Sei que eu fui, era um colégio de Freitas, o único da cidade, se não me engano. Até hoje me lembro que a professora chamava Cris, que eu fui um recorte horroroso no Dia das Mães que a presenteada achou lindo, claro.
E fui no ano seguinte, a gente se mudou para Salto e eu fui para outro colégio de freiras, o mesmo que a minha mãe tinha estudado quando era criança, mas com bolsa porque a família era pobre pra mais de metro. Lembro ainda de um outro episódio de que ela teria levado uma Havaiana na bolsa pra caso de eu não estar muito a fim de ficar,mas ficou só na ameaça. Eu nunca gostei de ir na escola, sempre achei um saco, um desperdício de tempo, gostava de ir muito mais pelas pessoas, pela bagunça, do que pelo ~aprendizado~, embora sempre tenha sido um dos melhores alunos da classe (menos na faculdade, mas aí é melhor deixar pra lá).
Mas isso tudo são só reminiscências. O que importa é que ontem o Davi começou a ir na escola, e por mais que da boca pra fora a gente diga “Tá certo, tem que ir, precisa se desenvolver, socializar”, rola todo aquele sentimento de culpa de pais que sempre superprotegeram e que ficavam felizes pelo priilégio de ele poder ficar com a avó, fica aquele medo de ele tomar uns pés-d’ouvido, ser alvo de bullying ou de uma professora pirada ou que aconteça qualquer outra merda. Mas, enfim, se é assim que tem que ser, que seja. Boa sorte, meu filho. E o pai tá aqui pra qualquer coisa que você precisar.
Eu tenho vagas lembranças do meu primeiro dia de escola. Minha mãe me aprontou todo, tirei foto junto com o vizinho da frente, que era da mesma ida e ia para a mesma escola. Daí chegou a perua para me levar e... eu não fui. Minha mãe acho que nessa época não dirigia, ou dirigia mas meu pai ficava com o carro, sei lá. Sei que era pra eu ter ido na perua escolar, mas eu chorei pra cacete, fiz um baita carnaval, e acabei não indo. Devo ter ido no outro dia, ou uns dois dias depois, é duro não ter mais os personagens por perto pra contar como foi. Sei que eu fui, era um colégio de Freitas, o único da cidade, se não me engano. Até hoje me lembro que a professora chamava Cris, que eu fui um recorte horroroso no Dia das Mães que a presenteada achou lindo, claro.
E fui no ano seguinte, a gente se mudou para Salto e eu fui para outro colégio de freiras, o mesmo que a minha mãe tinha estudado quando era criança, mas com bolsa porque a família era pobre pra mais de metro. Lembro ainda de um outro episódio de que ela teria levado uma Havaiana na bolsa pra caso de eu não estar muito a fim de ficar,mas ficou só na ameaça. Eu nunca gostei de ir na escola, sempre achei um saco, um desperdício de tempo, gostava de ir muito mais pelas pessoas, pela bagunça, do que pelo ~aprendizado~, embora sempre tenha sido um dos melhores alunos da classe (menos na faculdade, mas aí é melhor deixar pra lá).
Mas isso tudo são só reminiscências. O que importa é que ontem o Davi começou a ir na escola, e por mais que da boca pra fora a gente diga “Tá certo, tem que ir, precisa se desenvolver, socializar”, rola todo aquele sentimento de culpa de pais que sempre superprotegeram e que ficavam felizes pelo priilégio de ele poder ficar com a avó, fica aquele medo de ele tomar uns pés-d’ouvido, ser alvo de bullying ou de uma professora pirada ou que aconteça qualquer outra merda. Mas, enfim, se é assim que tem que ser, que seja. Boa sorte, meu filho. E o pai tá aqui pra qualquer coisa que você precisar.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Desapego
Em mais um capítulo de uma longuíssima e praticamente interminável novela, a Camila e eu fomos ontem na casa do meu pai e, limpa dali, olha caixas daqui, dei de cara com alguns dos meus jogos de botão velhos. Hesitei um pouco, mas resolvi jogar tudo fora. Eram só alguns dos últimos remanscentes, tinha dois ou três times do Palmeiras, um São Paulo, dois Brasil, um Argentina e um Flamengo. Mas todos estavam com pelo menos um jogador contundido (ou seja, quebrado), alguns jogadores estavam na balada, uma das traves quebrada... foi tudo pro lixo, assim como uma cacetada de coisas que a gente despachou no decorrer dos últimos 13 anos - e é inacreditável a capacidade que as pessoa têm de juntar coisas...
"Ah, mas você um dia não vai querer ensinar o Davi a jogar botão?", alguém vai perguntar. Sim, claro que eu quero jogar botão um dia com o Davi - ensinar é um verbo que não cabe, dada a minha completa incapacidade técnica. (Breve parêntese: uma vez joguei um campeonato de botão na ACM e perdi logo na estreia por 7 a 0 ou 8 a 0. Fiquei triste pela eliminação, mas aí me informaram que era eliminatória dupla, ou seja, eu tinha mais uma chance. Perdi só por 5 a 1 e encerrei minha prtensões de botonista profissional.)
Fora isso, não sei se o Davi vai se interessar por aqueles pedaços de acrílico em cima de uma tábua em tempos de Wii, Kinect, PES. E, se ele realmente se interessar, bem, eu vou lá e compro um jogo de botões pra ele, certo? Porque recordar é viver, mas deixar a vida seguir é muito melhor.
"Ah, mas você um dia não vai querer ensinar o Davi a jogar botão?", alguém vai perguntar. Sim, claro que eu quero jogar botão um dia com o Davi - ensinar é um verbo que não cabe, dada a minha completa incapacidade técnica. (Breve parêntese: uma vez joguei um campeonato de botão na ACM e perdi logo na estreia por 7 a 0 ou 8 a 0. Fiquei triste pela eliminação, mas aí me informaram que era eliminatória dupla, ou seja, eu tinha mais uma chance. Perdi só por 5 a 1 e encerrei minha prtensões de botonista profissional.)
Fora isso, não sei se o Davi vai se interessar por aqueles pedaços de acrílico em cima de uma tábua em tempos de Wii, Kinect, PES. E, se ele realmente se interessar, bem, eu vou lá e compro um jogo de botões pra ele, certo? Porque recordar é viver, mas deixar a vida seguir é muito melhor.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Canções de uma vida - 4: R.E.M., "Everybody Hurts"
Eu sou fã de R.E.M. desde 1991, mais ou menos. Essa música é do monstruoso Automatic for the People, de 1992. Eu devo tê-la ouvido umas mil vezes, tranquilamente, mas ela não está no meu top 10 R.E.M. - por ser triste demais, por ser conhecida demais, por ter meio que caído demais no clichê da "música triste".
Mas, à medida que o Natal se aproxima, e que se completa um ano do dia mais absurdamente triste da minha vida, não há como abstrair o conceito "dor". E eu, que sempre me senti ultraforte, imune a tristezas e choques, sempre pronto a superar tudo, percebo que sou o mais humano dos humanos, e que essa dor parece que nunca vai passar.
Ainda bem que, como diz o Stipe, a gente nunca está sozinho.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Um craque, um bom vivant, um gênio
Eu teria todos os motivos para não ter Sócrates como ídolo. Afinal, sou palmeirense, e ele foi um dos grandes craques da história do Corinthians. Ele foi um dos mitos da Seleção de 1982, e eu, remando contra a maré, tenho uma implicância danada daquele time – mais especialmente do Telê e das diversas burrices que ele fez na montagem da equipe (a saber, inventou o quadrado no meio-campo sem testar a formação em um mísero amistoso; escalar o Dirceu como ponta-direita na estreia, sendo ele meia e canhoto; ignorar o Reinaldo e o Leão para levar Serginho e Valdir Perez; e por aí vai).
Na fila vivida pelo Palmeiras entre 1976 e 1993, o time teve duas chances reais de ser campeão, e uma delas foi barrada pelo Doutor: nas semifinais do Paulistão de 1983, ele jogou sozinho e fez o Corinthians nos vencer. (Depois viria a Inter de Limeira, mas isso é outra história.) Na Seleção, Sócrates ainda fracassou na Copa de 1986, com direito a um pênalti perdido no jogo da eliminação, diante da França. E também no Mundialito de 1981, nas Copas América de 1979 e 1983.
E, no entanto, quando acordei no domingo de manhã e dei uma olhada no Twitter pra ver quais eram as novas, derramei algumas lágrimas ao saber de sua morte. Porque Sócrates estava além das rivalidades e das decepções. Não bastasse ter sido um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, ele foi, possivelmente, o melhor ser humano da história do futebol brasileiro.
O resto do texto, aqui, no Impedimento.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Panetones
Eu nunca gostei de panetone. Não gosto de passas (sim, tem coisas de que gordo não gosta, a gente não come necessariamente de tudo), não sou muito fã de frutas cristalizadas e o sabor da massa também não me apetece muito, de maneiras que a presença deles nas prateleiras dos supermercados com a aproximação do Natal nunca fez diferença para as minhas muitas vãs promessas de regime.
Para mim, até o ano passado, o panetone era apenas um símbolo de que, puta merda, como o ano passou rápido, o Natal já está chegando, caceta, esse povo do comércio não perde tempo, mal passa uma data já destacam outra, precisamos ver se vamos comprar logo os presentes para evitar os tumultos, não quero ir no shopping no dia 22, nossa, já passou, minha folga começa amanhã, Feliz Natal.
Meu pai, ao contrário de mim, adorava panetone. Sem preconceitos, de qualquer marca ou tamanho, bastava o fim de outubro chegar e os primeiros aparecerem no supermercado que, batata, lá estava um panetone em cima da mesa da cozinha (e geralmente havia outro em cima da geladeira). No decorrer das semanas, até meados de janeiro, pelo menos, era impossível não ter um panetone na casa, provavelmente aberto. Quando eu recebia o meu na "firma", batata, já levava para ele, para ser devidamente apreciado e não estragar em casa.
Algumas vezes ele me deu um panetone. Eu não gostava, mas ele dava mesmo assim, geralmente a gente abria, a Camila comia dois ou três pedaços, eu outros dois, mas tirando as passas, e depois eu levava de volta para ele, "coma que aqui ninguém vai comer". E ele, claro, nunca recusava.
Neste ano não vai ter panetone.
E essa lembrança, que nunca some, e que dói o tempo todo, dói mais a cada bancada de panetones que eu vejo no supermercado. Dói quando eu recebo o vale-panetone da empresa, e vai doer de novo na hora em que eu for buscá-lo, no fim desta semana. Não tem mais pra quem dar o panetone.
Eu já sabia que o Natal ia ser complicado, por razões óbvias, só não achei que o bicho ia pegar desde o fim de outubro. Quem me olha no supermercado deve achar engraçado o gordo idiota que passa praguejando contra os panetones, deve imaginar que estou num regime bravo e sofrendo por não poder devorá-los, quem me dera fosse só esse o problema. Árvores de Natal, presentes, Papais Noéis, enfeites de rua, tudo isso me incomoda e me dá agulhadas, mas, nada, nada mesmo, me incomoda e me machuca tanto como os malditos panetones.
Eu já disse que eu não gosto de panetone?
Para mim, até o ano passado, o panetone era apenas um símbolo de que, puta merda, como o ano passou rápido, o Natal já está chegando, caceta, esse povo do comércio não perde tempo, mal passa uma data já destacam outra, precisamos ver se vamos comprar logo os presentes para evitar os tumultos, não quero ir no shopping no dia 22, nossa, já passou, minha folga começa amanhã, Feliz Natal.
Meu pai, ao contrário de mim, adorava panetone. Sem preconceitos, de qualquer marca ou tamanho, bastava o fim de outubro chegar e os primeiros aparecerem no supermercado que, batata, lá estava um panetone em cima da mesa da cozinha (e geralmente havia outro em cima da geladeira). No decorrer das semanas, até meados de janeiro, pelo menos, era impossível não ter um panetone na casa, provavelmente aberto. Quando eu recebia o meu na "firma", batata, já levava para ele, para ser devidamente apreciado e não estragar em casa.
Algumas vezes ele me deu um panetone. Eu não gostava, mas ele dava mesmo assim, geralmente a gente abria, a Camila comia dois ou três pedaços, eu outros dois, mas tirando as passas, e depois eu levava de volta para ele, "coma que aqui ninguém vai comer". E ele, claro, nunca recusava.
Neste ano não vai ter panetone.
E essa lembrança, que nunca some, e que dói o tempo todo, dói mais a cada bancada de panetones que eu vejo no supermercado. Dói quando eu recebo o vale-panetone da empresa, e vai doer de novo na hora em que eu for buscá-lo, no fim desta semana. Não tem mais pra quem dar o panetone.
Eu já sabia que o Natal ia ser complicado, por razões óbvias, só não achei que o bicho ia pegar desde o fim de outubro. Quem me olha no supermercado deve achar engraçado o gordo idiota que passa praguejando contra os panetones, deve imaginar que estou num regime bravo e sofrendo por não poder devorá-los, quem me dera fosse só esse o problema. Árvores de Natal, presentes, Papais Noéis, enfeites de rua, tudo isso me incomoda e me dá agulhadas, mas, nada, nada mesmo, me incomoda e me machuca tanto como os malditos panetones.
Eu já disse que eu não gosto de panetone?
Canções de uma vida - 3: Beatles, "Ticket to Ride"
Reparem no "tesão" do Ringo tocando o playback, numa das músicas que é sua marca registrada
Eu contei no post passado desta série que meu pai não curtia que eu mexesse nos discos de vinil, e uma das primeiras fitas da coleção foi uma picaretagem caça-níqueis chamada 20 Greatest Hits (e que está à venda no Mercado Livre, mas não sou eu o vendedor, só achei curioso que exista; a minha, se é que ainda existe, deve estar em alguma caixa de sapatos esquecida na casa do meu pai).
Mas básica, impossível: começava com os sucessos dos tempos de ieieie, com "She Loves You", passava pela "perda da inocência" do período Rubber Soul e chegava aos anos psicodélicos, ainda que não tivesse nenhuma faixa do Sgt. Pepper's e se encerrava com "The Long and Winning Road" e sua hiper-orquestração armada por Spector.
Quando eu comprei a fita, só conhecia "Help", "Yesterday" e "Hey Jude", basicamente. E a ouvi até gastar, e "Ticket to Ride" sempre foi uma de minhas favoritas, por alguma coisa que até hoje eu não sei explicar, mas vocês sabem o que é.
Eu contei no post passado desta série que meu pai não curtia que eu mexesse nos discos de vinil, e uma das primeiras fitas da coleção foi uma picaretagem caça-níqueis chamada 20 Greatest Hits (e que está à venda no Mercado Livre, mas não sou eu o vendedor, só achei curioso que exista; a minha, se é que ainda existe, deve estar em alguma caixa de sapatos esquecida na casa do meu pai).
Mas básica, impossível: começava com os sucessos dos tempos de ieieie, com "She Loves You", passava pela "perda da inocência" do período Rubber Soul e chegava aos anos psicodélicos, ainda que não tivesse nenhuma faixa do Sgt. Pepper's e se encerrava com "The Long and Winning Road" e sua hiper-orquestração armada por Spector.
Quando eu comprei a fita, só conhecia "Help", "Yesterday" e "Hey Jude", basicamente. E a ouvi até gastar, e "Ticket to Ride" sempre foi uma de minhas favoritas, por alguma coisa que até hoje eu não sei explicar, mas vocês sabem o que é.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Amor
Eu não me lembro rxatamente quando foi a primeira vez que eu te vi, mas me lembro que, assim que te vi, já te queria. Nem que fosse só pra dançar mais uma música naquele baile de formatura, ou mais outra depois no casamento. Mas não deu certo, demorou, foram anos de espera, de encontros e desencontros, de olhares e de sorrisos amarelos e cumprimentos educados aos namorados de plantão. Seis anos de espera até aquele bar lotado, escuro e cheirando a fumaça, uma música meia-boca nos falantes (esta aqui; tivesse sido eu menos bundão e teria te agarrado cinco minutos antes, ao som desta aqui).
E era como se a vida tivesse acabado de começar. E desta vida já se passaram dez anos e pouco. E nós, recém-saídos da adolescência que éramos, crescemos juntos, aprendemos juntos, demos cabeçadas juntos, erramos, acertamos, tentamos, fizemos, acontecemos. Deixamos de ser nós dois, viramos nós três.
Hoje é seu aniversário, mas quem fica com os parabéns sou eu, por ter alguém como você a meu lado, à minha frente, me ajudando, me orientando, me cuidando, me aturando, com todos os meus problemas, erros, esquecimentos, decisões erradas, descuidos, descaminhos. Sendo mulher, amiga, amante, companheira, conselheira, orientadora, auxiliar, suporte, leitora, sendo tudo, tudo, tudo.
Neste seu dia, só posso te prometer que continuarei ao seu lado, errando e acertando, tentando, esquecendo, cuidando, tentando ser um bom marido, companheiro, confidente, motorista, recepcionista, professor de informática, saco de pancadas, palpiteiro, seu tudo, tudo, tudo.
A vida é bela e temos um longo caminho a percorrer. E eu quero estar do seu lado. Pra sempre.
Te amo.
domingo, 6 de novembro de 2011
Feliz 2013, Palmeiras
Faz quatro domingos que eu escrevi um post sobre a necessidade de o Palmeiras já começar a pensar em 2012, já que o campeonato tinha ido pro brejo. Está mais abaixo pra quem abriu o blog inteiro, ou aqui, pra quem abriu direto nesta página. Pois bem, uma parte do que eu sugeria/pedia ali foi atendido, e a diretoria parece ter fechado com Felipão - inclusive o texto foi escrito dois dias antes do imbróglio João Vítor, que simbolizou essa escolha.
Só que o tal planejamento parou por ali. Pior, não só o planejamento, visto que o time inteiro resolveu parar. E estamos numa situação bizarra, com jogadores que se arrastam em campo e claramente não dão a menor bola para o técnico, que por sua vez parece não ter a menor ideia do que fazer.
E, claro, a pavorosa sensação de chegar ao último jogo da temporada correndo risco de rebaixamento e podendo dar dose dupla de alegria ao maior rival, que luta pelo título.
A bipolaridade do palmeirense, nesta madrugada, faz todo mundo pensar que estamos ferrados, que vamos perder todos os jogos que restam até o fim do ano e voltar à Segundona, de quebra com o gostinho de dar o título ao rival, o pior de todos os cenários possíveis. (Alías, pode piorar, claro, vai que eles nos devolvem os 8 a 0 de 1933?)
Mas eu, particularmente, não acho que isso vá acontecer. E aí tem uma ponta de otimismo, mas também um olho na lógica: os times lá de baixo são muito ruins e estão muito mal. Não acredito que eles vão conseguir marcar tantos pontos, assim como não acho que vamos mesmo perder os cinco jogos restantes - do jeito que esse time é, capaz de ganhar justamente o jogo que ninguém quer que ganhe, contra o Vasco. (Ao menos já perdemos pro Fluminense, nos dois turnos pra não ter nenhuma dúvida.)
Claro que essa minha percepção pode mudar nas próximas semanas, mas, no momento, o que me preocupa mesmo é o ano que vem: com essa diretoria e esse ambiente, será impossível montar um time que preste. E aí o problema não é como terminar este ano, e sim como o próximo começará.
Vamos voltar dez anos no tempo? Pois bem, eis 2001: o Palmeiras começa o Brasileiro arrasador, sob o comando de Sexy Roth, mas tem um momento de turbulência, a diretoria demora demais pra tomar uma decisão, demite o técnico depois de uma segunda série de derrotas... e o time, depois de liderar metade do campeonato, termina em 12º lugar, com uma esdrúxula sequência de seis derrotas nos últimos sete jogos, e detalhes mórbidos como o 6 a 2 em casa para o Fluminense, a derrota por 3 a 1 para o Vasco, acho que em Rio Preto, que terminou com Taddei no gol após a expulsão de Marcos, e a salvação do Flamengo, uma derrota por 2 a 0 pra lá de sinistra no último jogo do ano.
Guardadas as proporções, um cenário parecido com o atual. E como foi 2002? Pois bem, podem considerar 2012 jogado na lata do lixo. Assim como foram 2011, 2010... Que, pelo menos fora de campo, seja um ano de turbulências positivas e que possam nos garantir um 2013 melhor. Já me sinto pronto para passar o ano que vem no mesmo pique dos últimos dois meses, só empurrando com a barriga. Que ao menos seja na Série A.
(Menos mal que o Davi ainda não entende direito essas coisas. Pois como eu ia explicar pra ele que essa coisa de "gol do Verdão" que ele grita chutando bola não é bem assim que funciona?)
Só que o tal planejamento parou por ali. Pior, não só o planejamento, visto que o time inteiro resolveu parar. E estamos numa situação bizarra, com jogadores que se arrastam em campo e claramente não dão a menor bola para o técnico, que por sua vez parece não ter a menor ideia do que fazer.
E, claro, a pavorosa sensação de chegar ao último jogo da temporada correndo risco de rebaixamento e podendo dar dose dupla de alegria ao maior rival, que luta pelo título.
A bipolaridade do palmeirense, nesta madrugada, faz todo mundo pensar que estamos ferrados, que vamos perder todos os jogos que restam até o fim do ano e voltar à Segundona, de quebra com o gostinho de dar o título ao rival, o pior de todos os cenários possíveis. (Alías, pode piorar, claro, vai que eles nos devolvem os 8 a 0 de 1933?)
Mas eu, particularmente, não acho que isso vá acontecer. E aí tem uma ponta de otimismo, mas também um olho na lógica: os times lá de baixo são muito ruins e estão muito mal. Não acredito que eles vão conseguir marcar tantos pontos, assim como não acho que vamos mesmo perder os cinco jogos restantes - do jeito que esse time é, capaz de ganhar justamente o jogo que ninguém quer que ganhe, contra o Vasco. (Ao menos já perdemos pro Fluminense, nos dois turnos pra não ter nenhuma dúvida.)
Claro que essa minha percepção pode mudar nas próximas semanas, mas, no momento, o que me preocupa mesmo é o ano que vem: com essa diretoria e esse ambiente, será impossível montar um time que preste. E aí o problema não é como terminar este ano, e sim como o próximo começará.
Vamos voltar dez anos no tempo? Pois bem, eis 2001: o Palmeiras começa o Brasileiro arrasador, sob o comando de Sexy Roth, mas tem um momento de turbulência, a diretoria demora demais pra tomar uma decisão, demite o técnico depois de uma segunda série de derrotas... e o time, depois de liderar metade do campeonato, termina em 12º lugar, com uma esdrúxula sequência de seis derrotas nos últimos sete jogos, e detalhes mórbidos como o 6 a 2 em casa para o Fluminense, a derrota por 3 a 1 para o Vasco, acho que em Rio Preto, que terminou com Taddei no gol após a expulsão de Marcos, e a salvação do Flamengo, uma derrota por 2 a 0 pra lá de sinistra no último jogo do ano.
Guardadas as proporções, um cenário parecido com o atual. E como foi 2002? Pois bem, podem considerar 2012 jogado na lata do lixo. Assim como foram 2011, 2010... Que, pelo menos fora de campo, seja um ano de turbulências positivas e que possam nos garantir um 2013 melhor. Já me sinto pronto para passar o ano que vem no mesmo pique dos últimos dois meses, só empurrando com a barriga. Que ao menos seja na Série A.
(Menos mal que o Davi ainda não entende direito essas coisas. Pois como eu ia explicar pra ele que essa coisa de "gol do Verdão" que ele grita chutando bola não é bem assim que funciona?)
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Canções de uma vida - 2: Legião Urbana, "Tempo Perdido"
Legião é chato. Legião é ruim. É cópia dos Smiths. É música pra adolescente vítima de bullying. O instruimental é fraco. O Renato Russo é afetado. Cantava mal. Os caras não sabiam tocar. Envelheceu mal. Tudo o que está escrito acima pode ser verdade. E o que importa?
Eu tinha 10 anos quando ganhei meu primeiro aparelho de som “só pra mim”: um 2 em 1 vermelho da Phillips, com rádio em quatro freqüências e toca-fitas. Sem toca-discos, porque ele achava (e morreu achando) que criança não devia mexer com esse tipo de coisa. Tanto que, quando eu queria ouvir algum disco da minha limitada coleção (da qual o Rádio Pirata era o prócer) , tinha que pedir a ele que colocasse.
De olho na minha independência, no meu aniversário de 10 anos meus pais me deram esse som e ele gravou meus discos em fitas, pra que eu pudesse escutar quando quisesse. E meses depois ganhei minhas primeiras fitas quatro “originais de fábrica”: sem qualquer critério ou que eu pedisse qualquer coisa, eles escolheram o Go Back do Titãs, o Bora Bora do Paralamas, o Dois e o Que País é Este?, do Legião.
Antes disso, uma explicação necessária: nunca tive, e sempre invejei meus amigos que tiveram, aulas de educação musical roqueira em casa. Meu pai não gostava de rock e preferia Roberto Carlos e os medalhões da MPB, tanto que as trilhas sonoras de nossas viagens entre Salto e Sorocaba sempre foram fitas com o Rei, o Chico e o Caetano e o Milton e o MPB4. Minha mãe até gostava dos Beatles, mas só depois ela me mostraria que a gente tinha em casa as coletâneas azul e vermelha. Rock internacional? Só fui descobrir na raça, de 13 pra 14 anos, quando o sinal da MTV chegou a Sorocaba. Depois corri atrás, mas isso é outra história.
Assim, pode-se imaginar o estrago que essa discografia, especificamente os dois discos do Legião, fizeram na cabeça de um pré-adolescente com a autoestima baixa, gordinho e com orelhas de abano (prazer, Dumbo), óculos de necessidade recém-descoberta, CDF e malvestido na escola mais “burguesa” da cidade. (Chamar gente de “burguês” é muito anos 80 pra mim.)
A fitografia foi aumentando a cada natal e aniversário ou qualquer outra ocasião. Vieram depois o disco ao vivo do Cazuza, a primeira dos Beatles (uma coletânea picareta), Barão, o Quatro Estações, os amigos metaleiros da 8ª série, a Bizz, os primeiros discos de vinil comprados e ouvidos à revelia e mais de 20 anos se passaram até os HDs e CDs lotados de MP3. Mas o Dois sempre vai ter um pedaço especial pra ele no meu coração, e“Tempo Perdido” sempre será uma de minhas músicas favoritas.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
A entressafra dos professores
A notícia de que Leão seria o novo técnico do São Paulo me provocou, de cara, uma gargalhada daquelas, seguida de uma indagação do tipo “Onde é que esses caras estão com a cabeça, foi indicação do Andrés?” Depois bateu um pensamento do tipo “Bom, pelo menos eles mexeram diante de um problema, tomaram uma atitude, e não fizeram como a diretoria do Palmeiras, que espera o campeonato acabar em barranco pra morrer encostada, sem se dar conta de que podemos acabar todos soterrados”.
Depois eu fiquei pensando: se não fosse o
Leão, ia ser quem? E não achei resposta. Não tem nenhum grande técnico dando
sopa no mercado. Mas o buraco é mais embaixo: a verdade é que o Brasil vive uma
entressafra de talentos no banco de reservas
Vejamos: a única unanimidade na praça
chama-se Muricy Ramalho, que só neste ano, depois de levar o Santos ao título
da Libertadores, conseguiu se livrar da pecha “é ruim de mata-mata” que
resistiu à conquista de quatro dos últimos cinco Brasileiros. O único lugar
onde há resistência a Muricy é na torcida do Fluminense, mas é muito mais um
caso de coração partido e mágoa pela exposição das ratazanas e afins do que
realmente uma crítica a seu trabalho.
(Na verdade, há sim outra unanimidade, mas
não exatamente “na praça”: é Ricardo Gomes, mas creio que os elogios que se
seguiram após seu AVC foram movidos muito mais pela comoção pessoal do que por
seu trabalho na beira do campo, que, todos sabemos, só foi DEFLORAR no Vasco,
depois de uma década de irrelevâncias (pergunte a qualquer são-paulino se
gostava do time sob seu comando.)
Fora isso, o futebol brasileiro sobrevive
hoje PROFESSORADO por uma série de classes de treineiros, todos passíveis de
algum grau de contestação. Há os medalhões, como Luiz Felipe Scolari, Vanderlei
Luxemburgo e Abel Braga, que regularmente são acossados aos gritos de
“decadente!”.
Há um grupo que eu penso em chamar de
“renegados”, no qual podemos encaixar Celso Roth, Caio Júnior, Tite, Cuca,
Papai Joel, Adilson Batista e o supracitado Leão, dentre outros, cuja
contratação geralmente é anunciada pelo cartola com uma certa vergonha, um
SORRISO AMARELO do tipo “Bom, tinha que escolher alguém, né?”, e que geralmente
começam bem e acabam com uma demissão anunciada com semanas de antecedência,
depois de alguma derrota estúpida em casa.
Há os que já mostraram qualidade, mas ainda
falta um “algo mais”, como o fujão Paulo Autuori ou Dorival Júnior, que
demonstra conhecimento tático, porém (a meu ver) carece de um jeito melhor para
lidar com assuntos extracampo (podem reparar que ele saiu brigado de seus dois
últimos empregos, no Galo e no Santos, e mesmo suas saídas de Vasco e Cruzeiro,
após temporadas relativamente boas, são questionáveis).
Jorginho, o comandante da brilhante nau
lusitana na Série B, é outro que se encaixa no escopo, e não venham me dizer
“Ah, mas o Palmeiras foi líder com ele em 2009”, porque ele comandou o time
apenas em meia dúzia de jogos, não serve como parâmetro. Também podemos incluir
o outro Jorginho, que faz ótimo trabalho à frente do Figueirense, mas que
sempre poderá ser apontado como o mentor intelectual do desastre da Copa de
2010.
E há aqueles de segundo escalão, que se
alternam entre times de regiões intermediárias da tabela e vira e mexe clamam
por uma chance num “grande centro”, onde falham miseravelmente. Casos de PC
Gusmão, Toninho Cecílio e Estevam Soares, consigo me lembrar agora.
E o Mano Menezes? Bom, eu defendo a tese de
que, não fosse o maldito Ademar e seu pênalti perdido na Batalha dos Aflitos,
Luiz Antonio teria sido demitido pelo Grêmio e ficaria marcado como o técnico
que não conseguiu fazer o Grêmio subir numa Série B molezinha que tinha até o
União Barbarense.)
A verdade é que hoje praticamente não há
técnico no Brasil que não possa ser cornetado e com boa dose de justiça. É
sintomático, inclusive, que isso envolva quatro dos cinco últimos campeões de
torneios internacionais à frentede clubes brasileiros (antes de Muricy, na
ordem inversa: Roth, Tite, Abel e Autuori).
Também é sintomático que esse
questionamento ocorra justamente numa época de supervalorização dos técnicos,
que passaram não raro a ter o maior salário do clube e são tratados como os
depositários da esperança do torcedor – e o caso do Palmeiras é típico, pois
muitos defendem que “não fosse o Felipão e o time caía”, mas, vá lá, é ele quem
treina e escala o time, não?
É um momento complicado, e a nós,
torcedores, resta ter paciência para lidar com as IDIOSSINCRASIAS dos
professores. É duro de aturar, mas, pensem, até que poderia ser muito pior. Poderia ser o Leão.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Canções de uma vida - 1: Pearl Jam, "Rearviewmirror"
(Uma série nova, sem nenhuma previsão de regularidade, coerência ou explicação, apenas para desovar algumas de minhas músicas favoritas. Pra começar, uma das melhores de Vedder & cia., que estarão aqui perto de novo e de novo eu provavelmente perderei.)
domingo, 9 de outubro de 2011
Felipão e o custo-benefício, uma reflexão necessária
(Antes de mais nada, um aviso: eu não acho que o certo seja demitir o Felipão, tampouco tenho a resposta à questão "Mas vai colocar quem no lugar?". É só uma análise, consolidando uma série de pitacos feitos no Twitter, durante o jogo contra o Santos, e que comecei a pensar antes mesmo do gol do Peixe, embora a publicação tenha sido movida pela atuação ridícula - mais uma - da defesa.)
Está mais do que claro que o ano de 2011 já acabou, na prática, para o Palmeiras. Com 40 pontos, o time não aspira a mais coisa nenhuma no Brasileirão e tampouco corre risco de rebaixamento, a não ser que sofra uma sequência ridícula de derrotas. Dos dezes jogos que restam, só é vital, mesmo, vencer os dois últimos - principalmente o último. Por isso, já deveria ser hora de planejar 2012. E isso passa, é claro, pela definição de quem será o técnico.
Ok, Felipão tem contrato até o fim de 2012, mas há diversas "informações" que o ligam a SP, Cruzeiro, Inter e o raio que o parta - embora eu não acredite em nenhuma delas. Mas, sejamos sensatos, será que ele resiste a uma hipotética sequência de maus resultados no Paulista, coroada por uma derrota em casa para o Americana de Guaratinguetá? Por isso, antes de pensar com o fígado, é bom pensar um pouco melhor no assunto. Já não basta termos jogado 2010 no lixo deixando o Muricy ficar, montar o time, pra ser demitido semanas depois ao levar um 4 a 1 do São Caetano em casa. (E essa história me irritou mais ainda quando eu soube, nesta semana, que Cipullo já conversava com Felipão e tinha um pré-acerto desde antes do fim do fatídico Brasileirão de 2009.)
Por isso, acho que é preciso analisar o custo-benefício de Felipão. Vamos por partes, como diria o Jack:
1. Salário - Felipão deve ser o técnico mais bem pago do futebol brasileiro hoje, recebendo (valores extraoficiais) cerca de 700 mil dilmas por mês, sem contar os escorchantes impostos (DIREITA, discurso furado da).
2. Resultados - em um ano e meio de Felipão, o que temos é nada sobre nada vezes nada elevado ao cubo. Dois Brasileiros perdidos aos pouquinhos, rodada após rodada; duas Sul-Americanas perdidas, uma delas de forma patética; uma Copa do Brasil perdida de forma humilhante; e um Paulistão perdido de forma aviltante pela postura passiva da diretoria de aceitar uma arbitragem, no mínimo, suspeita, e de insistir em marcar um jogo em casa em território hostil, contra a vontade do técnico. (E não me venham falar que "o Pacaembu é da cidade" que isso é lorota pra ruminante cair no sono. O Pacaembu, na prática, é deles. A gente é visita.)
3. Ambiente interno - o temperamento bateu-levou de Felipão não é nenhuma novidade, mas, no atual momento de fervura política do Palmeiras, isso não tem ajudado em nada. Bom, pode até estar ajudando a não acontecer uma merda ainda maior, mas, em termos práticos de resultado em campo, é o que vimos acima. Pior: tá cheio de jogador querendo ver o bigode dele pelas costas, como é facílimo de perceber dentro de campo, a cada partida.
4. Ambiente externo - ter Felipão no banco de reservas é certeza de má vontade da arbitragem, dos tribunais e de parte da crônica esportiva.
5. Elenco e filosofia de jogo - por fim, de nada adianta ter um técnico masterclass no banco de reservas e um time que não corresponde, seja por razões técnicas, seja por estar de birrinha com o mesmo técnico ou com a torcida, a diretoria ou o roupeiro. E, se alguém pode dizer "Ah, mas a culpa não é dele", bom, foi ele quem indicou o Gerley e o Ricardo Bueno, pra ficar só nesses dois. Isso para não falar nas opções, digamos, heterodoxas, de insistir com o Tinga ou o Maurício Ramos e improvisar um lateral em vez de escalar o reserva só porque não foi ele que indicou. (Sem contar que, na primeira encarnação, ele indicou Arce e Paulo Nunes, mas também indicou Rivarola e Jackson; escalou o Asprilla contra o Manchester e deixou o Evair no banco. E por aí vai.) E nem vou usar a análise "ele está decadente", porque, sinceramente, acho deselegante e incompleto dizer isso sem conviver com ele.
Lamento informar quem chegou até aqui, mas a minha resposta à pergunta "Vale a pena manter Felipão" é "não sei". Para mim, a diretoria deveria analisar tudo isso antes de tomar uma decisão - o quanto antes, de preferência, para facilitar um eventual acordo com outro profissional e se antecipar na busca de reforços.
O problema é que, sabemos todos, isso não vai acontecer. A não ser que de fato apareça uma proposta, Felipão vai ficar e tocar o Palmeiras de 2012 a seu modo. Só que, volto ao começo, será que ele chega ao fim do ano? Ou teremos um replay de 2010, com interinos e novatos meia-boca, e mais jogos perdidos, mas derrotas humilhantes, mais frustrações, e mais um ano acabando na prática meses antes de dezembro?
A resposta, com a diretoria. Ou seja, dá arrepios só de pensar.
Está mais do que claro que o ano de 2011 já acabou, na prática, para o Palmeiras. Com 40 pontos, o time não aspira a mais coisa nenhuma no Brasileirão e tampouco corre risco de rebaixamento, a não ser que sofra uma sequência ridícula de derrotas. Dos dezes jogos que restam, só é vital, mesmo, vencer os dois últimos - principalmente o último. Por isso, já deveria ser hora de planejar 2012. E isso passa, é claro, pela definição de quem será o técnico.
Ok, Felipão tem contrato até o fim de 2012, mas há diversas "informações" que o ligam a SP, Cruzeiro, Inter e o raio que o parta - embora eu não acredite em nenhuma delas. Mas, sejamos sensatos, será que ele resiste a uma hipotética sequência de maus resultados no Paulista, coroada por uma derrota em casa para o Americana de Guaratinguetá? Por isso, antes de pensar com o fígado, é bom pensar um pouco melhor no assunto. Já não basta termos jogado 2010 no lixo deixando o Muricy ficar, montar o time, pra ser demitido semanas depois ao levar um 4 a 1 do São Caetano em casa. (E essa história me irritou mais ainda quando eu soube, nesta semana, que Cipullo já conversava com Felipão e tinha um pré-acerto desde antes do fim do fatídico Brasileirão de 2009.)
Por isso, acho que é preciso analisar o custo-benefício de Felipão. Vamos por partes, como diria o Jack:
1. Salário - Felipão deve ser o técnico mais bem pago do futebol brasileiro hoje, recebendo (valores extraoficiais) cerca de 700 mil dilmas por mês, sem contar os escorchantes impostos (DIREITA, discurso furado da).
2. Resultados - em um ano e meio de Felipão, o que temos é nada sobre nada vezes nada elevado ao cubo. Dois Brasileiros perdidos aos pouquinhos, rodada após rodada; duas Sul-Americanas perdidas, uma delas de forma patética; uma Copa do Brasil perdida de forma humilhante; e um Paulistão perdido de forma aviltante pela postura passiva da diretoria de aceitar uma arbitragem, no mínimo, suspeita, e de insistir em marcar um jogo em casa em território hostil, contra a vontade do técnico. (E não me venham falar que "o Pacaembu é da cidade" que isso é lorota pra ruminante cair no sono. O Pacaembu, na prática, é deles. A gente é visita.)
3. Ambiente interno - o temperamento bateu-levou de Felipão não é nenhuma novidade, mas, no atual momento de fervura política do Palmeiras, isso não tem ajudado em nada. Bom, pode até estar ajudando a não acontecer uma merda ainda maior, mas, em termos práticos de resultado em campo, é o que vimos acima. Pior: tá cheio de jogador querendo ver o bigode dele pelas costas, como é facílimo de perceber dentro de campo, a cada partida.
4. Ambiente externo - ter Felipão no banco de reservas é certeza de má vontade da arbitragem, dos tribunais e de parte da crônica esportiva.
5. Elenco e filosofia de jogo - por fim, de nada adianta ter um técnico masterclass no banco de reservas e um time que não corresponde, seja por razões técnicas, seja por estar de birrinha com o mesmo técnico ou com a torcida, a diretoria ou o roupeiro. E, se alguém pode dizer "Ah, mas a culpa não é dele", bom, foi ele quem indicou o Gerley e o Ricardo Bueno, pra ficar só nesses dois. Isso para não falar nas opções, digamos, heterodoxas, de insistir com o Tinga ou o Maurício Ramos e improvisar um lateral em vez de escalar o reserva só porque não foi ele que indicou. (Sem contar que, na primeira encarnação, ele indicou Arce e Paulo Nunes, mas também indicou Rivarola e Jackson; escalou o Asprilla contra o Manchester e deixou o Evair no banco. E por aí vai.) E nem vou usar a análise "ele está decadente", porque, sinceramente, acho deselegante e incompleto dizer isso sem conviver com ele.
Lamento informar quem chegou até aqui, mas a minha resposta à pergunta "Vale a pena manter Felipão" é "não sei". Para mim, a diretoria deveria analisar tudo isso antes de tomar uma decisão - o quanto antes, de preferência, para facilitar um eventual acordo com outro profissional e se antecipar na busca de reforços.
O problema é que, sabemos todos, isso não vai acontecer. A não ser que de fato apareça uma proposta, Felipão vai ficar e tocar o Palmeiras de 2012 a seu modo. Só que, volto ao começo, será que ele chega ao fim do ano? Ou teremos um replay de 2010, com interinos e novatos meia-boca, e mais jogos perdidos, mas derrotas humilhantes, mais frustrações, e mais um ano acabando na prática meses antes de dezembro?
A resposta, com a diretoria. Ou seja, dá arrepios só de pensar.
domingo, 25 de setembro de 2011
Reflexões de mais um vexame
O Palmeiras parece disposto a desatualizar toda a minha lista das 10 maiores humilhações. Duvida? Oras, basta ver que, desde a publicação do texto, em janeiro de 2009, tivemos a ridícula derrocada no Brasileirão do mesmo ano, que proporciona facilmente uns três jogos (briga e expulsão dupla contra o Grêmio; empatar com o rebaixado Sport, em casa, com gol roubado; apanhar do JOBSON na última rodada e nem ir à Libertadores, depois de liderar metade do campeonato).
Em 2010, podemos acrescentar a queda diante do Dragão com quatro pênaltis perdidos de uma só vez, a derrota para o Goiás na Sul-Americana e o vexame de entregar o jogo para o Fluminense só para o Corinthians não ser campeão. E neste ano tivemos os 6 a 0 diante do Coxa e o jogo de hoje. Viram? Sem pensar muito, são oito jogos dignos de entrar em qualquer lista de humilhações.
Hoje, confesso, bateu um certo fastio. A cada contra-ataque do Atlético-GO em direção ao gol, com o Palmeiras vencendo por 1 a 0 e tendo dois jogadores a mais em campo, eu me lembrava justamente do jogo contra o Grêmio supracitado, em que jogamos no segundo tempo com nove contra 11 e só não tomamos uma lavada épica por falta de vontade dos jogadores gremistas. E pensava, não é possível que o time vai conseguir levar o empate. Não só conseguiu como só não perdeu porque o pessoal do Dragão se contentou com o empate, que nessas condições de temperatura e pressão estava de bom tamanho.
Como eu dizia, bateu um fastio. Outro dia, eu quase tive uma discussão familiar porque estávamos cantando musiquinhas infantis pro Davi dançar e meu cunhado, que é corintiano com ares de são-paulino de piada, daqueles que nem sabe o dia do jogo e não é capaz de escalar meio time, veio com graça de cantar "Timão ê ô". Eu fiquei puto, mas não por ele estar tentando "roubar" meu filho de dois anos, mas por ele ser justamente um torcedor "fajuto", e não um psicótico como eu. Na minha visão, ele não tem o direito de fazer isso. Quer que meu filho seja corintiano? Ok. Mas seja torcedor de verdade, e não um daqueles que só diz ter time pra não ser piada na rodinha dos marmanjos. Se o Davi torcer para um rival, mas for um torcedor de verdade, que xinga, se descabela, acompanha tudo, vê todos os jogos, vibra com as vitórias e tem o dia seguinte estragado pelas derrotas.
(E olha que meu conceito de "torcedor de verdade" é muito mais elástico que o defendido pelo Barneschi, afinal eu sou um torcedor forjado no interior, longe do time de coração, pouco acostumado a estádios e tudo o mais.)
Daí hoje veio esse jogo, esse fastio, e bateu de novo a dúvida, a mesma do ano passado, quando eu vi o japinha chorando após a vergonha no Pacaembu: vale a pena querer isso pro meu filho? Porque eu, aos 33 anos, mais de 25 de relho nas costas toda quarta e domingo, já nem falo mais de abandonar, largar mão. Sei que fico puto hoje, mas amanhã já olho a tabela e fico imaginando que ainda pode dar, e domingo (ou sábado, ainda não sei) vou estar de olho no jogo, torcendo (e sofrendo) tudo de novo. Sou um caso perdido, incurável.
Mas o Davi ainda pode escapar. Tem dois aninhos só, é inocente, ainda não foi mordido pela mosca da bola. Porque hoje foi daqueles dias que eu fiquei com vontade de ligar pro meu padrinho, aquele que me fez palmeirense, e falar "MAS QUE PUTA MERDA VOCÊ, HEIN?", e eu não queria que meu filho um dia jogasse isso na minha cara. Então, claro que eu gostaria de tê-lo a meu lado um dia na arquibancada, torcendo pelo (que sobrar do) Palmeiras, mas prometo aqui, publicamente, se ele um dia virar e falar "Sabe, pai, curto não esse treco de futebol, tá?" Pelo menos ele será mais sensato do que o pai.
Em 2010, podemos acrescentar a queda diante do Dragão com quatro pênaltis perdidos de uma só vez, a derrota para o Goiás na Sul-Americana e o vexame de entregar o jogo para o Fluminense só para o Corinthians não ser campeão. E neste ano tivemos os 6 a 0 diante do Coxa e o jogo de hoje. Viram? Sem pensar muito, são oito jogos dignos de entrar em qualquer lista de humilhações.
Hoje, confesso, bateu um certo fastio. A cada contra-ataque do Atlético-GO em direção ao gol, com o Palmeiras vencendo por 1 a 0 e tendo dois jogadores a mais em campo, eu me lembrava justamente do jogo contra o Grêmio supracitado, em que jogamos no segundo tempo com nove contra 11 e só não tomamos uma lavada épica por falta de vontade dos jogadores gremistas. E pensava, não é possível que o time vai conseguir levar o empate. Não só conseguiu como só não perdeu porque o pessoal do Dragão se contentou com o empate, que nessas condições de temperatura e pressão estava de bom tamanho.
Como eu dizia, bateu um fastio. Outro dia, eu quase tive uma discussão familiar porque estávamos cantando musiquinhas infantis pro Davi dançar e meu cunhado, que é corintiano com ares de são-paulino de piada, daqueles que nem sabe o dia do jogo e não é capaz de escalar meio time, veio com graça de cantar "Timão ê ô". Eu fiquei puto, mas não por ele estar tentando "roubar" meu filho de dois anos, mas por ele ser justamente um torcedor "fajuto", e não um psicótico como eu. Na minha visão, ele não tem o direito de fazer isso. Quer que meu filho seja corintiano? Ok. Mas seja torcedor de verdade, e não um daqueles que só diz ter time pra não ser piada na rodinha dos marmanjos. Se o Davi torcer para um rival, mas for um torcedor de verdade, que xinga, se descabela, acompanha tudo, vê todos os jogos, vibra com as vitórias e tem o dia seguinte estragado pelas derrotas.
(E olha que meu conceito de "torcedor de verdade" é muito mais elástico que o defendido pelo Barneschi, afinal eu sou um torcedor forjado no interior, longe do time de coração, pouco acostumado a estádios e tudo o mais.)
Daí hoje veio esse jogo, esse fastio, e bateu de novo a dúvida, a mesma do ano passado, quando eu vi o japinha chorando após a vergonha no Pacaembu: vale a pena querer isso pro meu filho? Porque eu, aos 33 anos, mais de 25 de relho nas costas toda quarta e domingo, já nem falo mais de abandonar, largar mão. Sei que fico puto hoje, mas amanhã já olho a tabela e fico imaginando que ainda pode dar, e domingo (ou sábado, ainda não sei) vou estar de olho no jogo, torcendo (e sofrendo) tudo de novo. Sou um caso perdido, incurável.
Mas o Davi ainda pode escapar. Tem dois aninhos só, é inocente, ainda não foi mordido pela mosca da bola. Porque hoje foi daqueles dias que eu fiquei com vontade de ligar pro meu padrinho, aquele que me fez palmeirense, e falar "MAS QUE PUTA MERDA VOCÊ, HEIN?", e eu não queria que meu filho um dia jogasse isso na minha cara. Então, claro que eu gostaria de tê-lo a meu lado um dia na arquibancada, torcendo pelo (que sobrar do) Palmeiras, mas prometo aqui, publicamente, se ele um dia virar e falar "Sabe, pai, curto não esse treco de futebol, tá?" Pelo menos ele será mais sensato do que o pai.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
O jogo que não terminou
Quem me conhece sabe que eu estou longe de ser uma viúva do Telê. Acho que ele foi um bom técnico, mas longe de ser o gênio que tanto elogiam, discuto com qualquer um que o defenda como "bastião do futebol-arte" e concordo com quase tudo que o Randall já destrinchou com maestria neste texto pro Malvadezas.
Mas, independentemente disso, é inegável não sentir uma angústia ao ver o VT abaixo. Dias atrás, entrei num debate rápido no Twitter, com o mesmo Randall, o Odil e o Rob sobre como esse jogo deixou marcas profundas não apenas na memória dos torcedores, mas na própria história do futebol. A ponto de o próprio Telê ter deixado de lado seu estilo "arte acima de tudo" e inventado o Elzo e o Alemão como volantes em 86, sem falar que foi campeão do mundo no São Paulo jogando futebol-arte com Dinho e Pintado ("futebol-arte" e "Dinho e Pintado" no mesmo período é praticamente um erro de coerência textual).
Minha lembrança pessoal desse jogo é pequena e formada apenas por flashes, afinal eu tinha 4 anos. Lembro de estar assistindo em casa, com meus pais e meu primo-padrinho que me faria ser palmeirense anos depois. E de alternar momentos vendo o jogo com descidas para a garagem para brincar com alguma coisa ou andar no meu fusca amarelo de plástico.
A lembrança maior que ficou é da aversão que meu pai criou ao Paolo Rossi, a ponto de sentir arrepios à simples menção do nome dele mesmo muitos anos depois - dá pra dizer que, mesmo com tetra ou penta, meu pai morreu sem ter superado o trauma. E restou também, a despeito de minha origem, uma profunda aversão a torcer pela Itália em qualquer esporte, seja futebol, basquete, cuspe a distância e par-ou-ímpar. Se hay Azzurra, yo soy contra.
Mas, independentemente disso, é inegável não sentir uma angústia ao ver o VT abaixo. Dias atrás, entrei num debate rápido no Twitter, com o mesmo Randall, o Odil e o Rob sobre como esse jogo deixou marcas profundas não apenas na memória dos torcedores, mas na própria história do futebol. A ponto de o próprio Telê ter deixado de lado seu estilo "arte acima de tudo" e inventado o Elzo e o Alemão como volantes em 86, sem falar que foi campeão do mundo no São Paulo jogando futebol-arte com Dinho e Pintado ("futebol-arte" e "Dinho e Pintado" no mesmo período é praticamente um erro de coerência textual).
Minha lembrança pessoal desse jogo é pequena e formada apenas por flashes, afinal eu tinha 4 anos. Lembro de estar assistindo em casa, com meus pais e meu primo-padrinho que me faria ser palmeirense anos depois. E de alternar momentos vendo o jogo com descidas para a garagem para brincar com alguma coisa ou andar no meu fusca amarelo de plástico.
A lembrança maior que ficou é da aversão que meu pai criou ao Paolo Rossi, a ponto de sentir arrepios à simples menção do nome dele mesmo muitos anos depois - dá pra dizer que, mesmo com tetra ou penta, meu pai morreu sem ter superado o trauma. E restou também, a despeito de minha origem, uma profunda aversão a torcer pela Itália em qualquer esporte, seja futebol, basquete, cuspe a distância e par-ou-ímpar. Se hay Azzurra, yo soy contra.
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